Século XIX · Origens
Um curato no caminho dos tropeiros
O arraial do Espírito Santo das Catanduvas tinha cerca de mil pessoas e vivia do trânsito permanente de tropeiros pelo Sul de Minas. Em 1832 a população era de 1.855 habitantes, crescimento tímido para duas décadas e meia.
Por 43 anos o lugar foi curato, a condição anterior à de distrito, e o que marca esse tempo são as igrejas: a Matriz do Divino Espírito Santo e a do Rosário. Em 1º de junho de 1850 o curato virou paróquia, e veio o primeiro surto de obras, com as duas primeiras escolas públicas e a cadeia.
1888 a 1892 · A virada
Os italianos e o trem
O fim da escravatura mudou a cidade. Para substituir a mão de obra escravizada, firmou-se acordo com a Itália: o governo brasileiro pagava a passagem em troca de cinco anos de trabalho na lavoura. Em 1888 Varginha recebeu a maior leva, 1.020 pessoas, das quais 806 italianos, toscanos, lombardos e vênetos, mais portugueses, espanhóis, turcos e alemães.
Eles entraram na agricultura, e as duas culturas que importavam eram a cana e o café. No começo do século XX a cidade já tinha 113 estabelecimentos de beneficiamento de café. Em 1892 chegou a linha férrea, no mesmo lugar onde está o prédio da estação, e com ela o calçamento e a iluminação pública a gás acetileno.
Formação
De distrito de Três Pontas a cidade
O distrito foi criado pela Lei Provincial nº 471, de 1º de julho de 1850, com o nome de Espírito Santo da Varginha, subordinado a Três Pontas. A elevação a vila veio pela Lei Provincial nº 2.785, de 22 de julho de 1881, desmembrada de Três Pontas, com instalação em 17 de dezembro de 1883; a condição de cidade, pela Lei Provincial nº 2.950, de 7 de outubro de 1882.
Hoje são 136.467 habitantes pelo Censo 2022. Quem sobrevoa a cidade vê o centro verticalizado, a matriz no eixo da avenida e, num largo ajardinado, uma nave em forma de disco voador: Varginha fez do episódio de 1996 uma marca de si mesma, e a nave aparece em mais de um ponto da cidade.