A última grande cidade do ouro de Minas Gerais - tombada como patrimônio nacional, e ainda hoje lar de uma das maiores minas de ouro a céu aberto do mundo.
Em 1744, os bandeirantes Felisberto Caldeira Brant e José Rodrigues Frois anunciaram a descoberta de ouro no vale do Rio Paracatu - considerada a última grande descoberta aurífera de Minas Gerais. Nasceu ali o Arraial de São Luiz e Sant'Ana das Minas do Paracatu, que cresceu rapidamente com a abundância do metal encontrado nos depósitos aluviais.
Em 20 de outubro de 1798, por alvará da rainha D. Maria I de Portugal, o arraial foi elevado à categoria de vila, com o nome de Paracatu do Príncipe - uma homenagem ao então príncipe regente, futuro Dom João VI.

A riqueza foi tão rápida quanto sua decadência: no início da década de 1820, a produção de ouro de aluvião entrou em queda, e Paracatu viveu décadas de estagnação - descrita pelo escritor Afonso Arinos como um "oásis dentro do sertão mineiro". A cidade se reinventou com base na agropecuária e viveu uma efervescência cultural ao longo do século XIX, preservando duas igrejas do século XVIII que guardam ricas coleções de imagens sacras.
Em 2010, o IPHAN tombou o centro histórico de Paracatu como Patrimônio Cultural do Brasil - um dos apenas dez conjuntos urbanos mineiros com esse reconhecimento. Ironicamente, o ouro nunca deixou de fazer parte da identidade da cidade: hoje Paracatu abriga uma das maiores minas de ouro a céu aberto do mundo, respondendo por cerca de 25% da produção nacional do metal.
Paracatu ainda tem um centro histórico inteiro por registrar - a cobertura está só começando.
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