A única capital do Brasil planejada inteiramente do zero antes de Brasília - erguida onde, décadas antes, um bandeirante encontrou apenas pasto e uma bela paisagem.
Em 1701, o bandeirante João Leite da Silva Ortiz chegou à região à procura de ouro. Não encontrou o metal, mas encontrou uma paisagem de clima ameno, boa para agricultura - e resolveu ficar. Construiu a Fazenda do Cercado, plantou e criou gado, e logo outros moradores se juntaram a ele.
Viajantes que conduziam tropas de gado da Bahia rumo às minas de ouro e pedras preciosas passaram a usar o lugar como ponto de parada. O povoado foi batizado de Curral del Rei e cresceu, nas décadas seguintes, apoiado na pequena lavoura, na criação de gado e na fabricação de farinha - com algumas fábricas primitivas de algodão, ferro e bronze.
Com a Proclamação da República em 1889, a antiga capital, Ouro Preto, mostrou-se geograficamente incapaz de crescer. Em dezembro de 1893, uma lei estadual oficializou a construção de uma nova capital sobre o território de Curral del Rei, então rebatizado Cidade de Minas. A Comissão Construtora da Nova Capital, liderada pelo engenheiro Aarão Reis - e depois por Francisco de Paula Bicalho -, desenhou ruas largas e arborizadas, em ângulo reto, para uma cidade pensada inicialmente para 30 mil habitantes, com margem para chegar a 200 mil.
A nova capital foi inaugurada, ainda em obras, em 12 de dezembro de 1897, com cerca de 10 mil habitantes. Só em 1901 passou a se chamar oficialmente Belo Horizonte. O crescimento, porém, foi lento nas duas décadas seguintes - a cidade viveu quase estritamente da função administrativa até 1930.
Foi nos anos 1920 que Belo Horizonte revelou sua primeira geração de peso na literatura brasileira - nomes como Carlos Drummond de Andrade, Pedro Nava e Ciro dos Anjos se encontravam no Bar do Ponto e na Confeitaria Estrela para discutir os textos que ajudariam a mudar as letras do país.
Entre as décadas de 1930 e 1940, a industrialização acelerou e a cidade ganhou construções modernistas - entre elas as casas do bairro Cidade Jardim. Em 1943, a pedido do então prefeito Juscelino Kubitschek, foi inaugurado o Conjunto Arquitetônico da Pampulha, um marco da arquitetura moderna brasileira.
Muitos bairros de Belo Horizonte cresceram em torno de paróquias e igrejas - um padrão comum ao crescimento urbano mineiro. É o caso de regiões como Santo Antônio, Coração de Jesus e Coração Eucarístico, que carregam no próprio nome a origem da comunidade que os formou.



A capital pensada para, no limite, 200 mil habitantes, viu sua população ultrapassar 1 milhão já por volta de 1950 - pouco mais de 50 anos após a fundação. O plano original de Aarão Reis não previa uma metrópole desse tamanho, e boa parte do crescimento posterior aconteceu fora da lógica original das ruas em grade, moldado pela própria vivência dos moradores.
Hoje, Belo Horizonte é o núcleo da terceira maior concentração urbana do país, com uma cena cultural marcada pelos bares, pela gastronomia mineira e pelo uso das praças como extensão da casa.
Nenhum lugar resume melhor o projeto original da capital do que a Praça da Liberdade. Erguida como centro simbólico da nova cidade, abrigou por mais de um século as sedes do governo estadual. Quando a administração se mudou para a Cidade Administrativa, em 2010, os antigos prédios de governo foram convertidos em museus e espaços culturais, dando origem ao Circuito Cultural Praça da Liberdade - hoje um dos points mais visitados da capital.


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